Macedônia Leprosa

Não parece, mas sempre tive um ar meio tímido, algo como um recolhimento de menino feio, mas com um belo coração. Um coração que não se mostra fora do peito, mas bate ensandecidamente e descompassado, como se a qualquer momento fosse romper meu peito devido tamanha intensidade de euforia. Sempre digo verdades que todos dizem que inventei, mas desde menino que sonho com a vida como sempre imaginei. Uma vida sem regras, sem barreiras, nada a transpor, apenas um caminho longo e com diversão ilimitada por toda a vida. Menino bobo. Sempre via todos como ovelha e me sentia um lobo, jovem tolo. É tudo invertido, lobos são ovelhas e ovelhas são lobos, ambos mascarados anseiam fazer vítimas inocentes que acreditam no conto de fada de uma vida descomplicada. Tudo é complexidade. Se não houver barreira, nem algo a se conquistar com o devido esforço, não é vida, pode ser um devaneio, um sonho, ou um delírio, qualquer coisa fora da realidade. O que vem fácil demais se vai da mesma forma, é como se um passarinho pousasse na sua mão e num instante alçasse voo.

vilanias

Sou um drama mexicano. Uma comédia vulgar. Sou a cerveja sem espuma, a casa sem lar. Sou o olhar 34 - sou ao contrário. Sou o michê pago em moedas, sou o fim degradante de virgens donzelas. Sou o pássaro ousado que caiu do ninho, sou a pedra no caminho. E se há pedra no caminho, me chutam. Sou o pênalti perdido. Sou a copa da casa, que recebe visitas mas não atenção. Sou reserva, e reservado. Sou o palhaço sem graça, a bailarina sem ponta, sou o pano que cai ao fim do espetáculo. Eu sou o raio, eu sou o que a parta também. Sou qualquer coisa, e continuo sendo ninguém.

Severinar 

supermodelgif:

Karen Elson photographed by Mikael Jansson for Arena Homme Plus

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Karen Elson photographed by Mikael Jansson for Arena Homme Plus

sunday feeling / august 2014

sunday feeling / august 2014

livrariapessoal:

(Paulo Leminski)

LP

livrariapessoal:

(Paulo Leminski)

LP

Fui à biblioteca e tentei encontrar livros sobre o que fazia com que as pessoas se sentissem do jeito que eu estava me sentindo, mas os livros não estavam lá, ou, se estavam, eu não podia compreendê-los. Ir até a biblioteca não era nada fácil: todos pareciam tão confortáveis, os bibliotecários, os leitores, todos menos eu.

Charles Bukowski,  Ao Sul de Lugar Nenhum 

Se te pareço noturna
e imperfeita
Olha-me de novo.
Porque esta noite
Olhei-me a mim,
como se tu me olhasses
E era como se a água
Desejasse.

Hilda Hilst 

Se existe vida após a morte,
não me esperem,
porque eu não vou.

Frida Kahlo

Sobre despedidas, não sei muito mais que você. Só que doem. E deixam buracos intermináveis. E cegam. E emudecem. E paralisam. E findam. Sobre despedidas, só sei o que me contaram: que deixam cicatrizes nos pés e nas mãos, que deixam a garganta seca e o sorriso travado. Sobre despedidas, eu sei de mim. E de minha mãe. E de meu pai. E da minha angústia toda, fugindo pra dentro do quarto e me trancando no escuro, detrás do guarda-roupa. Intragável, intragável, intragável: sobre despedidas, sei que não passam na garganta. Não entram na mente. Não cruzam visões de quem se recusa a ver que é o fim e não a paz, o que espera na frente de casa. É o fim, meu amor — o nosso fim.

Circos

Não termina. A sombra nítida de sua face e os vívidos toques e carícias. Persuasivo é o aroma que percorre minhas narinas, idolatro-te. Faço de mim um quadro, pintado em teu seio pelo negro de seus olhos que se misturam ao vermelho vivo de seus lábios. Percorro tua silhueta e pareço estar num labirinto. Sua sedução é infalível e turbulentos são seus voos, que me levam ao delírio infinito.

Vilanias 

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